Assédio Moral – Texto do SINPRO no jornal de abril/maio de 2005
Contra a humilhação no local de trabalho.


As relações no mundo do trabalho vêm mudando constantemente nos últimos anos. A solidariedade perde espaço para atitudes como o individualismo, a perversidade, a inveja, as perseguições e o clima de terror nos locais de trabalho. Os que têm emprego sofrem cada vez mais a pressão da flexibilidade, do desemprego e do salário por mérito. Trabalham cada dia mais intensamente, num círculo de medo e terror.
Surgem com isso novas formas de patologias ligadas ao problema como as doenças ocasionadas por esforços repetitivos, o estresse, a falta de auto estima, etc. Dentro deste contexto urge adotarmos limites legais que preservem a integridade física e mental dos indivíduos, sob pena de perpetuarmos uma “guerra invisível”, travestida às vezes de puro jogo de poder, nas relações de trabalho. Esta guerra, mencionada em segredo nos consultórios dos psicólogos, é o que consideramos "assédio moral", (ou tirania nas relações do trabalho, como é chamado nos Estados Unidos). Pesquisa da Organização Mundial do Trabalho, realizada em 1996, constatou que pelo menos 12 milhões de europeus sofrem desse drama.
É um problema quase clandestino, de difícil diagnóstico é bem verdade, mas ainda assim, se não enfrentado de frente pode levar a debilidade da saúde de milhares de trabalhadores.
Considera-se "assédio moral" todo tipo de ação, gesto ou palavra que atinja, pela repetição, a auto-estima e a segurança de um indivíduo, fazendo-o duvidar de si e de sua competência, implicando em dano ao ambiente de trabalho, à evolução da carreira profissional ou à estabilidade do vínculo empregatício do funcionário, tais como: marcar tarefas com prazos impossíveis; passar alguém de uma área de responsabilidade para funções triviais; tomar crédito de idéias de outros; ignorar ou excluir um funcionário só se dirigindo a ele através de terceiros; sonegar informações de forma insistente; espalhar rumores maliciosos; criticar com persistência; subestimar esforços.
Não podemos compactuar com um sistema que maltrate, humilhe e intimide pelo medo os trabalhadores, muitos são testemunhas de colegas que sofrem, que são prejudicados no ambiente de trabalho, mas calam-se diante do medo. O ambiente de trabalho tem que ser saudável e livre de discriminações.
(Box)
Previna-se contra o assédio moral
Depois de responder a 3 mil telefonemas e receber 26 mil visitas no seu site da Internet, Tim Field, estudioso inglês , especialista em assédio moral no trabalho, sentiu na pele o drama de ser assediado moralmente ao ser forçado a sair de seu emprego, em 1994. Hoje, ele mantém um serviço de aconselhamento por telefone e na Internet, escreve livros e dá consultas a empresas e sindicatos. chegou aos conselhos básicos para quem quiser reagir a um chefe tirano. Aqui, um resumo dos que se aplicariam às vítimas brasileiras.
• Lembre-se de que um chefe tirano projeta em suas vítimas as próprias fraquezas profissionais e morais. Assim, não as introjete;
• Sentir vergonha, dificuldade, culpa e medo é uma reação normal, mas imprópria se render ao tirano o controle e o silêncio de sua vítima;
• Não se pode enfrentar sozinho um chefe tirano. Procure ajuda. Consulte o departamento médico de sua empresa;
• Aprenda o máximo que puder sobre assédio moral no trabalho;
• Supere toda a falsa percepção sobre assédio moral, como a de que se trata apenas de uma forma dura de chefiar, ou de reorganização empresarial;
• Anote tudo. Não é um único incidente que conta, mas a regularidade com que acontece, o seu padrão e o conjunto;
• Guarde cópia de cartas, memorandos e e-mails;
• Faça um diário com as reclamações e críticas do chefe tirano. Se puder obtê-las por escrito, tanto melhor. Se as tiver pedido, e não for atendido, registre. A repetida recusa de justificar ou substanciar faltas cobradas pode ser usada como prova de assédio;
• A tiranização no trabalho estressa. Se o médico a diagnosticar, que inclua a causa – as condições no local de trabalho;
• Reclame do assédio moral ao escalão superior. Mas, cuidado: em geral, o tirano é que receberá o apoio de cima;
• Não se deixe levar pela armadilha da saúde mental: os sintomas e efeitos do assédio moral são uma lesão psiquiátrica, não doença mental;
• Uma licença-médica deve ser registrada como acidente de trabalho, e a sua causa, a opressão do chefe tirano, denunciada ao empregador;
• Se o chefe tirano fizer suas críticas em público, procure um advogado para adverti-lo, por carta, de que ele é passível de processo por difamação e calúnia;
• Se forçado à demissão, denuncie a causa ao empregador, por escrito, e oriente-se com um advogado antes de assinar qualquer documento;
• Considere tornar público o seu caso.

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